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A geografia do rosto

Olhar (1)

A área geográfica do rosto e do corpo de uma pessoa para a qual nos é permitido olhar pode também afetar consideravelmente o resultado de um encontro face a face.

Após terminar a leitura da próxima secção, experimente o mais cedo possível as técnicas discutidas — sem avisar ninguém — e experimentará o efeito poderoso que estas competências permitem obter. Deverá contar com cerca de uma semana de treino para que estas técnicas de olhos se transformem numa componente normal das suas competências de comunicação.

Há três tipos básicos de olhar prolongado: Olhar Social, Olhar Intimo e Olhar de Comando.

1.O olhar social

As experiências realizadas no estudo do olhar revelam que, no decorrer de encontros sociais, o olhar incide sobre uma área triangular do rosto da outra pessoa, entre os olhos e a boca, durante cerca de 90% do tempo de duração do olhar. Esta é a área do rosto para onde olhamos num ambiente não ameaçador. A outra pessoa percepcionar-nos-á como não agressivos.

2.O olhar íntimo

Quando as pessoas se aproximam uma da outra desde uma certa distância, olham-se uma à outra rapidamente, entre o rosto e a parte inferior do corpo, de modo a perceber sem demora qual o sexo de uma e de outra; de seguida, uma segunda vez, para determinar o nível de interesse mútuo que terão. Este olhar incide entre os olhos e abaixo do queixo, junto das zonas inferiores do corpo da pessoa. Em encontros mais próximos, o olhar incide na área triangular entre os olhos e o peito, enquanto um olhar à distância incide na zona desde os olhos até à cintura, ou mais abaixo.

Homens e mulheres utilizam este olhar para demonstrar interesse mútuo, e quem se interessar de facto retribuirá o olhar. Lançamos em geral dois olhares rápidos, e de seguida olhamos para o rosto. Apesar de a maior parte das pessoas o negar veementemente, estudos realizados com câmaras dissimuladas revelam que toda a gente o faz, incluindo freiras.

Como dissemos antes, a visão periférica da mulher, dada a sua maior amplitude, permite-lhe examinar o corpo de um homem da cabeça aos pés sem se deixar apanhar. A visão masculina, em túnel, justifica por que razão o homem percorre com o olhar o corpo da mulher para cima e para baixo, de uma forma perfeitamente óbvia. É essa eventualmente a razão pela qual os homens são constantemente acusados de «comerem com os olhos» os corpos femininos a pequena distância, mas as mulheres raramente são acusadas do mesmo, ainda que a investigação revele que o fazem mais do que eles. Não é que os homens sejam mais voyeurs do que as mulheres — o problema é que a visão masculina em túnel implica que estão sempre a deixar-se apanhar.

Olhar para baixo, no decorrer de uma conversação, serve diferentes objetivos para homens e mulheres. A um homem, permite-lhe fazer o exame rápido da mulher. Para esta, serve o duplo objectivo de lhe permitir examiná-lo e simultaneamente enviar o sinal de submissão — desviar o olhar e olhar para baixo.

3.O olhar de comando

Imagine que a pessoa tem um terceiro olho no centro da testa, e dirija o seu olhar para o interior de uma área triangular situada entre os «três» olhos dela. O impacto que este olhar exerce sobre a outra pessoa tem de ser experimentado, para se poder acreditar.

Este olhar não só transforma a atmosfera, tornando-a muito séria, como consegue deter qualquer chato. Se mantiver o seu olhar dirigido para esta área, exerce uma enorme pressão sobre a pessoa.

Desde que o seu olhar não desça abaixo do nível dos olhos do outro, manterá a pressão sobre ele. Nunca use este olhar em encontros amigáveis ou românticos. Mas, em contrapartida, resultará às mil maravilhas sobre uma pessoa que pretenda intimidar, ou sobre outra que pura e simplesmente não se cala.