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A magia dos sorrisos e dos risos

smile

Bob olhou pela sala e cruzou o olhar com uma morena atraente. Pareceu-lhe que ela lhe retribuía o sorriso, pelo que, não sendo de compreensão lenta, atravessou rapidamente a sala e começou a conversar com ela. Ela não falava muito, mas como continuava a sorrir, ele persistiu. Uma das amigas dele, ao passar, sussurrou-lhe: «Esquece, Bob… ela acha-te um anormal.» Ele ficou pasmado. Mas ela continuava a sorrir-lhe!

Tal como acontece com a maior parte dos homens, Bob não compreendeu o significado negativo do sorriso feminino de lábios unidos e dentes escondidos.

As avós diziam muitas vezes aos netos para «porem cara alegre», «sorrirem de orelha a orelha» e «mostrarem os dentes» ao encontrar alguém pela primeira vez, pois sabiam, numa base intuitiva, que isso produziria uma reação positiva nos outros.

Os primeiros estudos científicos sobre o sorriso de que há registo ocorreram nos inícios do século XIX, quando um cientista francês de Boulogne utilizou a electro-diagnose e a estimulação eléctrica para distinguir entre o sorriso de genuína satisfação e outros tipos de sorrisos. Analisou as cabeças de pessoas executadas por guilhotina para estudar o modo de funcionamento dos músculos da face. Puxou os músculos da face segundo muitos ângulos diferentes, com vista a catalogar e registar que músculo causava cada sorriso. Descobriu então que os sorrisos são controlados por dois conjuntos de músculos orbicularis oculi, que puxam os olhos para trás. Os zygomatic majors puxam a boca para trás, por forma a expor os dentes e alargar as bochechas, ao passo que os orbicularis oculi fazem os olhos ficar mais estreitos e provocam «pés-de-galinha» (rugas ao canto dos olhos). É importante compreender estes músculos, pois os zygomatic majors são controlados de forma consciente — por outras palavras, são utilizados para produzir sorrisos falsos de satisfação simulada, por forma a parecer-se amistoso ou subordinado. Por outro lado, os orbicularis oculi, nos olhos, atuam de forma independente e revelam os verdadeiros sentimentos de um sorriso genuíno. Por este motivo, o primeiro sítio onde se deve tentar avaliar a sinceridade de um sorriso são as rugas ao lado dos olhos.

No sorriso de satisfação, não só os cantos dos lábios são puxados para cima, como os músculos em redor dos olhos são contraídos, por oposição aos sorrisos de não satisfação, que envolvem unicamente lábios sorridentes.

Os cientistas conseguem distinguir entre os sorrisos genuínos e falsos utilizando um sistema de codificação designado por sistema de Codificação de Ação Facial (SCAF), concebido por um professor da Universidade da Califórnia e por um Dr da Universidade de Kentucky. Os sorrisos genuínos são gerados pelo cérebro inconsciente, o que significa que são automáticos. Quando sentimos prazer, os sinais
atravessam a parte do nosso cérebro que processa a emoção, provocando um movimento dos músculos da boca, fazendo as bochechas subir, os olhos enrugar-se e as sobrancelhas baixar-se ligeiramente.

Podem também aparecer rugas em volta dos olhos em sorrisos falsos intensos, e as bochechas podem subir, fazendo parecer que os olhos se estão a contrair e que o sorriso é genuíno. Mas há sinais que distinguem estes sorrisos dos verdadeiros. Quando um sorriso é genuíno, a parte carnuda do olho situada entre a sobrancelha e a pálpebra — a prega da cobertura do olho — move-se para baixo, e as extremidades das sobrancelhas afundam ligeiramente.