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Abaixamento do corpo e estatuto

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Em termos históricos, aumentar ou diminuir a altura do corpo frente a outra pessoa tem sido utilizado como meio de estabelecer relacionamentos superior/subordinado. Referimo-nos a um membro da realeza como «Sua Alteza», enquanto os indivíduos que praticam atos reprováveis são designados por «baixos». Ninguém quer ser descrito como tendo «vistas curtas», nem ser «olhado de cima para baixo» ou «não estando à altura» do que se espera de si. O político coloca-se em cima de uma caixa de modo a parecer mais alto, um juiz senta-se numa posição mais elevada que o resto do tribunal, o vencedor da competição olímpica recebe a sua medalha numa posição superior à dos classificados em segundo e terceiro lugares, as pessoas que vivem nos andares mais elevados possuem mais autoridade do que as que vivem no rés-do-chão, algumas culturas dividem as classes sociais em «alta» e «baixa», e os farmacêuticos situam-se num estrado de forma a ficarem cinco centímetros mais altos que as outras pessoas.

As pessoas superiores podem por vezes «subir nas expectativas dos outros», «estar à altura da ocasião», «colocar-se num pedestal», ou realizar «altos voos». E nenhum Deus que se respeitasse a si próprio viveria na planície ou no vale. Os deuses vivem em Valhalla, no Monte Olimpo ou no Céu por cima de nós. E toda a gente compreende o significado de se levantar para falar numa reunião, em termos de assumir o controlo.

A maior parte das mulheres faz uma vénia quando se encontra com um membro da realeza. Os homens inclinam as cabeças ou tiram o chapéu, fazendo-se parecer mais pequenos do que a personalidade real. A saudação moderna constitui um resquício do ato de retirar um chapéu para se fazer parecer mais pequeno. A pessoa faz simbolicamente menção de tirar o chapéu, donde resulta a saudação moderna. Hoje em dia, vê-se ainda muitos homens que não usam chapéu dar um pequeno toque com a mão na testa ao encontrarem uma senhora, um gesto que é o que resta do hábito de tirar o chapéu, característico dos seus ancestrais. Quanto mais humilde ou subordinado um indivíduo se sentir relativamente a outro, mais abaixará o seu corpo.

Algumas lojas japonesas reintroduziram a «máquina das vénias», que ensina aos empregados o ângulo exato da vénia a fazer a um cliente, habitualmente quinze graus para um cliente que «está só a ver», e até quarenta e cinco graus para um comprador. No mundo empresarial, as pessoas que continuamente «se agacham» perante os chefes são rotulados com nomes depreciativos como «lambe-botas» ou «graxistas».