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Como os ricos e famosos revelam a sua insegurança

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As pessoas que se encontram continuamente sujeitas ao escrutínio público, como os membros da realeza, os políticos, as personalidades da televisão e as estrelas de cinema, não querem em geral que o seu público detecte que estão nervosas ou inseguras. Em situações públicas, preferem projetar uma imagem de calma e controlo da situação, mas a sua ansiedade ou apreensão escapam-se por vezes sob formas disfarçadas de cruzamento de braços. Tal como em todos os gestos de braços cruzados, um dos braços descreve uma rotação à frente do corpo no sentido do outro, mas em vez de assumir o gesto de braços-cruzados, uma mão toca ou segura uma carteira, uma pulseira, um relógio, o colarinho da camisa, ou qualquer outro objecto que esteja sobre o outro braço, ou próximo dele. Mais uma vez, a barreira é formada, e consegue obter-se uma sensação de segurança.

Os homens que usam botões de punho são frequentemente vistos a ajustá-los sempre que atravessam uma sala ou um salão de baile, à vista de toda a gente.

Um homem ansioso ou constrangido poderá igualmente ser visto a compor a correia do relógio, a verificar o conteúdo da carteira, a apertar ou a esfregar as mãos uma na outra, a brincar com um botão de punho ou a usar qualquer gesto que lhe permita cruzar os braços em frente do corpo. Um dos gestos favoritos dos homens de negócios inseguros é o de entrar numa reunião de trabalho segurando uma pasta ou um arquivo em frente do corpo.

Para um observador treinado, estes gestos funcionam como indicadores, pois não permitem atingir qualquer objectivo real, não sendo mais do que uma tentativa de disfarçar o nervosismo. Um bom sítio para observar estes gestos é onde quer que haja pessoas a caminhar frente a uma assistência, como por exemplo um homem que atravessa a pista de dança para convidar uma mulher para dançar, ou alguém que atravessa o palco para receber um prémio.

No caso das mulheres, a utilização de barreiras de braços disfarçadas é menos perceptível do que nos homens, devido ao facto de elas poderem agarrar coisas como carteiras ou bolsas se se sentirem constrangidas ou inseguras. Os membros da família real, como a princesa Ana, seguram habitualmente um ramo de flores quando se deslocam em público, e a Pega-Flores/Carteira é o gesto favorito da rainha Isabel. É improvável que ela traga para o teatro batom, maquilhagem, cartões de crédito e bilhetes na carteira. Pelo contrário utiliza-a como uma espécie de cobertor de segurança quando necessário, e como forma de enviar mensagens; os observadores da família real registaram doze sinais que ela envia aos seus acompanhantes quando quer seguir, parar, sair ou ser libertada de alguém que a está a aborrecer.

Uma das versões mais comuns de criação de uma barreira subtil é o gesto de segurar um copo ou uma chávena com as duas mãos. Uma mão basta para segurar um copo, mas a utilização das duas permite à pessoa insegura formar uma barreira de braços praticamente imperceptível. Este tipo de gestos é utilizado por quase toda a gente, e poucos de nós temos consciência de o fazermos.