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Como são comunicados a dominação e o controlo

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No tempo dos Romanos, dois líderes encontravam-se e cumprimentavam-se com o que acabava por ser uma versão em pé do moderno braço-de-ferro. Se um deles fosse mais forte do que o outro, a sua mão terminaria o aperto de mão sobre a do outro, naquilo que se tornou conhecido como a posição Mão-por-Cima (Upper Hand).

Suponhamos que o leitor acaba de conhecer alguém, e se cumprimentam com um aperto de mão. Uma das seguintes três atitudes básicas é transmitida a um nível subconsciente:

1. Dominação: «Ele está a tentar dominar-me. Preciso de ter cuidado.»
2. Submissão: «Posso dominar esta pessoa. Ele vai fazer o que eu quiser.»
3. Igualdade: «Sinto-me confortável com esta pessoa.»

Estas atitudes são enviadas e recebidas sem que delas tenhamos consciência, mas podem exercer um impacto imediato sobre o resultado de qualquer encontro. Na década de 1970, foi documentado o efeito destas técnicas de aperto de mão, numas aulas de competências empresariais, e foram ensinadas enquanto estratégias empresariais, as quais, com um pouco de treino e aplicação, podem influenciar radicalmente qualquer encontro face a face.

A dominação é transmitida rodando a nossa mão (manga às riscas) de tal modo que a palma da nossa mão fique voltada para baixo num aperto de mão. A nossa palma da mão não tem de ficar diretamente voltada para baixo, mas é a mão que fica na posição superior e comunica que queremos assumir o controlo do encontro.

Foi realizado um estudo com 350 gestores de topo bem-sucedidos (dos quais 89% eram homens) revelou que não só quase todos os gestores iniciavam o aperto de mão, como 88% dos homens e 31% das mulheres utilizavam igualmente a posição de aperto de mão dominante. As questões de poder e controlo são em geral menos importantes para as mulheres, o que explica provavelmente por que razão apenas uma em três tentou o ritual Mão-por-Cima. Descobrimos igualmente que algumas mulheres dão aos homens um aperto de mão frouxo em alguns contextos sociais, para transmitir uma mensagem de submissão.

Trata-se de uma forma de sublinhar a sua feminilidade, ou de dar a entender que é possível dominá-las. Num contexto profissional, porém, esta abordagem pode revelar-se desastrosa para uma mulher, pois fará os homens concentrarem-se nas suas qualidades femininas, não a levando a sério. As mulheres que exibem
uma elevada feminilidade em encontros profissionais não são levadas a sério pelos outros profissionais, sejam homens ou mulheres, apesar de ser hoje em dia moda ou politicamente correto afirmar que todos são iguais. Isto não significa que uma mulher, num contexto profissional, precise de agir de uma forma masculina; bastar-lhe-á evitar sinais de feminilidade como apertos de mão frouxos, saias curtas e saltos altos, se pretende ter igual credibilidade.

Um professor da Universidade do Alabama realizou, em 2001, um estudo sobre apertos de mão e chegou à conclusão de os tipos psicológicos extrovertidos utilizam apertos de mão firmes, enquanto as personalidades tímidas e neuróticas não o fazem. O professor descobriu igualmente que as mulheres que se revelavam abertas a ideias novas davam apertos de mão firmes.

Os homens davam os mesmos apertos de mão, quer fossem ou não abertos a novas ideias. Por isso, em contexto profissional, faz sentido para as mulheres darem apertos de mão mais firmes, particularmente a homens.