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Conseguir uma decisão ao jantar

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Tendo em conta o que foi já dito acerca dos territórios humanos e da utilização de mesas quadradas, retangulares e redondas, consideremos agora a dinâmica de uma refeição no restaurante, na qual o nosso objetivo seja obter uma resposta favorável para determinada proposta.

Se vamos tratar de negócios à mesa do jantar, é uma estratégia sensata completar a maior parte da conversação antes da chegada da comida. Quando toda a gente começa a comer, a conversa pode chegar a um ponto morto, e o álcool entorpecer o cérebro. A seguir a comermos, o estômago desvia sangue do cérebro para ajudar a digestão, tornando mais difícil às pessoas pensarem de forma clara. Se há homens que esperam conseguir esse tipo de efeito ao saírem com uma mulher, a estratégia pode revelar-se desastrosa no mundo dos negócios. É mais aconselhável apresentar as suas propostas enquanto toda a gente esta mentalmente alerta.

Há cem mil anos, os nossos ancestrais regressavam a casa com as suas presas, ao fim de um dia de caça, e partilhavam-na em grupo no interior de uma caverna comunitária. Acendia-se uma fogueira à entrada da caverna, para afugentar predadores e proporcionar calor. Cada homem das cavernas sentava-se de costas para a parede da caverna, de modo a evitar a possibilidade de ser tacado por trás enquanto se concentrava em comer a refeição. Os únicos sons ouvidos eram os dentes a moer e a rilhar a carne, além do crepitar do fogo. Este processo antigo de partilha de comida em volta de uma fogueira, ao crepúsculo, constituiu o início de um evento social que o homem moderno revive sob a forma de grelhadas, cozinhados ao ar livre e jantares de convívio. O homem moderno reage e comporta-se igualmente perante estes eventos de uma forma basicamente semelhante à que adotava há cem mil anos.

Voltemos agora ao nosso restaurante ou jantar de convívio: conseguir uma decisão a nosso favor é mais fácil quando a outra pessoa está descontraída e baixou as suas barreiras defensivas. Para conseguir este objetivo, e tendo em conta aquilo que foi já dito acerca dos nossos ancestrais, é necessário seguir algumas regras simples.

Em primeiro lugar, quer estejamos a jantar em casa ou num restaurante, é conveniente dispormos a outra pessoa sentada de costas para uma parede ou divisória sólidas. A investigação mostra que a respiração, o batimento cardíaco, a frequência das ondas cerebrais e a pressão sanguínea aumentam rapidamente quando uma pessoa está sentada de costas para um espaço aberto, particularmente se houver pessoas a movimentar-se nesse espaço. A tensão aumenta ainda mais se a pessoa estiver de costas voltadas para uma porta aberta ou uma janela situada ao nível do solo. Esta é assim uma boa posição para sentar alguém se o quisermos enervar ou desestabilizar. De seguida, deve diminuir-se a intensidade das luzes e pôr música em fundo, baixo, para descontrair os sentidos. Muitos restaurantes de topo têm uma lareira aberta, ou um simulacro de lareira, perto da entrada do restaurante, para recriar os efeitos da fogueira que ardia nos antigos festins das cavernas. Seria ainda melhor utilizar uma mesa redonda ou obscurecer a visão da outra pessoa sobre os outros presentes na sala, através de um biombo ou de uma planta verde de grandes dimensões, se se pretender a sua atenção exclusiva.

Os restaurantes de topo utilizam estas técnicas de relaxamento para extrair grandes somas de dinheiro das carteiras dos clientes em troca de comida vulgar, e os homens utilizam-nas há milhares de anos para criar atmosferas românticas para as mulheres. E de longe mais fácil obter uma decisão favorável nestas circunstâncias do que algum dia o será em restaurantes com iluminação intensa, mesas e cadeiras colocadas em áreas abertas, e o som de pratos e talheres a bater.