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Espelhar comportamentos – como construímos sintonia

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Quando encontramos outras pessoas pela primeira vez, necessitamos de avaliar rapidamente se apresentam para nós um valor positivo ou negativo, tal como faz a maior parte dos animais, por razões de sobrevivência. Fazemo-lo, analisando o corpo da outra pessoa, para perceber se se movimentará ou gesticulará da mesma forma que nós, naquilo que é conhecido por «espelhamento».

Espelhamos as linguagens corporais mútuas como forma de criar vínculos, de sermos aceites e de criarmos sintonia, mas é raro apercebermo-nos de que o fazemos. Em tempos antigos, o espelhamento constituía igualmente um dispositivo social que ajudava os nossos antepassados a encontrar o lugar que lhes cabia em grupos alargados; representa igualmente um resquício de um método primitivo de aprendizagem que envolvia um processo de imitação.

Uma das formas mais evidentes de espelhamento é o bocejar — alguém começa, e toda a gente é contagiada. O ato de bocejar é tão contagioso que nem sequer precisamos de ver outra pessoa a bocejar — a simples visão de uma boca muito aberta é suficiente.

Pensou-se em tempos que o objetivo do bocejo era o de oxigenar o corpo, mas sabemos hoje em dia que constitui uma forma de espelhamento, cujo objetivo é o de criar sintonia com os outros e evitar a agressão — tal como ocorre nos macacos, e em particular nos chimpanzés.
A um nível não-verbal, o que o espelhamento diz é: «Olha para mim; eu sou igual a ti. Sinto o mesmo e partilho as mesmas atitudes.» E por isso que os participantes de um concerto rock saltam e aplaudem ao mesmo tempo, ou fazem a «Onda Mexicana» ao mesmo tempo. O sincronismo da multidão promove uma sensação de segurança nos participantes.

Do mesmo modo, as pessoas que fazem parte de uma multidão furiosa espelharão atitudes agressivas, o que explica por que razão muitas pessoas habitualmente calmas podem exaltar-se nessa situação.
O impulso de espelhar comportamentos constitui igualmente a base de funcionamento de uma fila. Numa fila, as pessoas cooperam voluntariamente com outras que nunca viram nem voltarão a ver, obedecendo a um conjunto não escrito de regras comportamentais, enquanto esperam por um autocarro, numa galeria de arte, num banco ou lado a lado na guerra.

Os impulsos para espelhar o comportamento dos outros estão predefinidos no cérebro humano, devido ao facto de a cooperação conduzir a mais comida, melhor saúde e crescimento económico das comunidades.
É igualmente essa a explicação para o facto de sociedades altamente disciplinadas no espelhamento, tais como os Britânicos, os Alemães e os antigos Romanos, terem dominado eficazmente o mundo ao longo de muitos anos. O espelhamento faz os outros sentir-se «à vontade».

Constitui um instrumento de construção de sintonia tão poderoso, que a investigação com filmagens em câmara lenta revela que se estende até ao piscar de olhos, à dilatação das narinas, ao franzir do sobrolho e mesmo à dilatação das pupilas em simultâneo, o que é tanto mais notável quanto estes microgestos não podem ser imitados de forma consciente.