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História verdadeira: o candidato mentiroso

A MENTIRA

Numa entrevista a um homem que explicava por que razão tinha abandonado o seu último emprego, indicou que lhe proporcionava poucas oportunidades de futuro, e que tinha sido difícil partir, pois se dava bem com toda a gente. Uma entrevistadora afirmou ter uma «sensação intuitiva» de que o candidato mentia, e alimentava sentimentos negativos relativamente ao seu ex-patrão, apesar de o elogiar constantemente. Durante uma análise da entrevista com o vídeo em câmara lenta, aperceberam-se de que, de cada vez que o candidato mencionava o seu ex-patrão, lhe aparecia do lado esquerdo do rosto, durante uma fracção de segundo, uma expressão de desprezo. Muitas vezes, estes sinais contraditórios aparecem repentinamente no rosto de uma pessoa, durante não mais de uma fracção de segundo, e escapam a um observador inexperiente. Neste caso, telefonámos ao ex-patrão do candidato e descobrimos que o nosso entrevistado fora despedido por vender droga aos colegas. Por mais confiante que ele se tenha revelado na tentativa de falsificar a sua linguagem corporal, os seus microgestos contraditórios denunciaram-no perante a entrevistadora.

A chave, neste caso, está em ser capaz de separar os gestos reais dos falsos, por forma a distinguir uma pessoa genuína de um mentiroso ou de um impostor. Sinais como dilatação das pupilas, suor e rosto corado não podem ser falsificados de forma consciente, mas expor as palmas das mãos para tentar parecer honesto é algo que facilmente se aprende.

Existem, porém, alguns casos nos quais a linguagem corporal é deliberadamente falsificada com vista a obter determinadas vantagens. Consideremos, por exemplo, o concurso de Miss Mundo, ou o de Miss Universo, no qual cada uma das candidatas exibe movimentos corporais cuidadosamente aprendidos, para dar a impressão de calor humano e sinceridade. Dependendo do grau em que cada uma das candidatas consegue transmitir estes sinais, assim será a pontuação que conseguirá obter do júri. Mas até mesmo as concorrentes de grande experiência só conseguem fingir a sua linguagem corporal durante curtos períodos de tempo, após os quais o corpo exibirá sinais contraditórios, independentes das ações conscientes.

Muitos políticos são especialistas em falsificar linguagem corporal por forma a levar os eleitores a acreditar naquilo que dizem.

Em resumo, é difícil falsificar linguagem corporal durante longos períodos de tempo, mas, como veremos mais tarde, é importante aprender a usar uma linguagem corporal positiva para comunicar com os outros, e eliminar linguagem negativa susceptível de transmitir a mensagem errada. Isso fará que seja mais confortável estarmos com os outros, e tornar-nos-á mais aceitáveis aos seus olhos.