Os sinais menos fiáveis de mentira são aqueles sobre os quais a pessoa tem maior controlo, tais como as palavras, pois pode ensaiar as suas mentiras. Os indicadores mais fiáveis sobre a mentira, pelo contrário, são os gestos realizados de forma automática, e sobre os quais se exerce pouco ou nenhum controlo. O mais provável é que este tipo de respostas aconteça durante as mentiras, pois, do ponto de vista emocional, constituem os factores mais importantes para o mentiroso.

Um psicólogo da Universidade de Massachusetts, Amherst, estudou 121 casais em conversação com uma terceira pessoa. Foi pedido a um terço dos participantes que parecessem afáveis, enquanto um outro terço foi instruído para parecer competente, e aos restantes foi indicado simplesmente que fossem
eles próprios. Pediu-se então a todos os participantes que visionassem o vídeo de si próprios e identificassem quaisquer mentiras que tivessem dito durante a conversa, maiores ou mais pequenas. Algumas eram mentiras piedosas, como por exemplo dizer que gostavam de alguém de quem de facto não gostavam, enquanto outras eram mais extremas, como por exemplo alegar falsamente ser-se o vocalista de uma banda rock. Em termos globais, o psicólogo chegou à conclusão de que 62% dos participantes diziam uma média de duas a três mentiras a cada dez minutos.

Como pode então saber-se que alguém está a mentir, a «empatar» ou simplesmente a ponderar uma questão? O reconhecimento de gestos enganosos, de «empatar», de tédio e de avaliação é uma das mais importantes competências de observação que o leitor pode aprender. Neste capítulo, aprenderá os sinais de linguagem corporal que denunciam sempre os seus praticantes. A primeira parte do capítulo lidará com a mentira e a dissimulação.