A capacidade de descobrir o que está de facto a acontecer com determinada pessoa é simples — não fácil, mas simples. Tem a ver com estabelecer correspondências entre as coisas que vemos e ouvimos no ambiente em que tudo acontece, e retirar as conclusões mais prováveis. A maioria das pessoas, contudo, só vê aquilo que pensa estar a ver.

A história seguinte demonstra este ponto:

Dois homens caminhavam por um bosque quando deram com um buraco grande e profundo.

— Bolas… parece fundo — diz um deles. — Vamos atirar umas pedrinhas lá para dentro, para ver qual é a profundidade.

Atiraram algumas pedrinhas e esperaram, mas não ouviram nada.

— Bolas, o buraco é mesmo fundo. Vamos atirar um destes pedregulhos. Estes devem fazer barulho.

Pegaram em dois pedregulhos do tamanho de bolas de futebol, atiraram-nos para o buraco e esperaram, mas continuaram a não ouvir nada.

— Está aqui uma travessa da linha de caminho de ferro no meio dos arbustos — disse um. — Se a atirarmos lá para dentro, de certeza que vai fazer barulho.

Carregaram então o pesado barrote até ao buraco e atiraram-no lá para dentro, mas nem um som se ouviu.

Subitamente, do bosque próximo, apareceu um bode, correndo que nem um louco na direção dos dois homens e passando mesmo entre eles, a grande velocidade. Então, saltou para o ar e desapareceu dentro do buraco. Os homens ficaram ali especados, pasmados com o que acabavam de ver.

Do bosque saiu então um agricultor que perguntou:

— Ei! Viram o meu bode?

— Se vimos! Foi a coisa mais incrível a que já assistimos! Saiu do bosque a correr que nem um louco e saltou para aquele buraco!

— Ná — disse o agricultor. — Isso não pode ter sido o meu bode. O meu bode estava preso a uma travessa do caminho de ferro!