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No principio…

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Os atores dos filmes mudos foram os pioneiros das competências de linguagem corporal, pois esta constituía o único meio de comunicação disponível no cinema.

O desempenho de cada ator era classificado como bom ou mau consoante conseguia usar melhor ou pior gestos e sinais corporais para comunicar com a assistência. Quando os filmes sonoros se popularizaram e diminuiu a ênfase posta nos aspectos não verbais da representação, muitos atores de filmes mudos caíram na obscuridade, apenas sobrevivendo os que tinham boas competências verbais e não verbais.

Abriu, no entanto, caminho aos modernos estudos de expressões faciais e linguagem corporal, e muitas das ideias e observações de Darwin têm vindo a ser validadas desde então por investigadores de todo o mundo. Desde essa época, os cientistas anotaram e registaram quase um milhão de indicadores e sinais não verbais. O pioneiro na investigação da linguagem corporal na década de 1950, descobriu que o impacto total de uma mensagem é cerca de 7% verbal (palavras apenas), 38% vocal (incluindo o tom de voz, inflexões e outros sons) e 55% não verbal.

Um cientista realizou algumas estimativas semelhantes da quantidade de comunicação não verbal que tem lugar entre seres humanos. Calculou que, em média, uma pessoa articula palavras durante um total de cerca de 10 a 11 minutos por dia e que, também em média, cada frase consome apenas cerca de 2,5 segundos. Ele estimou igualmente que podemos produzir e reconhecer cerca de 250 000 expressões faciais.

Ele descobriu também que a componente verbal de uma conversação face a face é inferior a 35% e que mais de 65% da comunicação é realizada de forma não verbal. A nossa própria análise de milhares de entrevistas e negociações de vendas gravadas durante as décadas de 1970 e 1980 mostrou que, nos encontros de trabalho, a linguagem corporal representa entre 60 e 80% do impacto produzido à volta de uma mesa de negociação e que as pessoas formam 60% a 80% da sua opinião inicial acerca de uma nova pessoa em menos de quatro minutos. Os estudos revelam ainda que, em negociações ao telefone, a pessoa com os argumentos mais fortes costuma vencer, mas não é esse o caso na negociação face a face, pois globalmente tomamos as nossas decisões finais mais com base no que vemos do que naquilo que ouvimos.