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O patrão vs os empregados

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O estatuto social e hierárquico pode influenciar os gestos de cruzamento de braços. Uma pessoa de categoria superior poderá anunciar a sua superioridade não cruzando os braços, com isso dizendo, na verdade: «Eu não tenho medo, por isso vou deixar o corpo aberto e vulnerável.» Digamos, por exemplo, que num evento social de uma empresa, o diretor-geral é apresentado a diversos empregados novos. Depois de os cumprimentar com um aperto de mão palma-da-mão-para-baixo, afasta-se deles — cerca de um metro — com as mãos encostadas aos lados do corpo, ou por trás das costas, na posição «príncipe Philip» Palma-na-Palma (postura de superioridade), ou com uma ou ambas as mãos nos bolsos (atitude de não envolvimento). Raramente cruzará os braços sobre o peito, de modo a não transmitir a mais pequena impressão de nervosismo.

Inversamente, após apertar a mão do patrão, os novos empregados poderão assumir posições de braços total ou parcialmente cruzados, devido à apreensão que sentem por se encontrarem na presença da pessoa mais importante da empresa. Tanto o diretor-geral como os novos empregados sentem-se confortáveis com os respectivos agrupamentos de gestos, pois cada um assinala o seu estatuto relativamente ao outro. Mas o que acontece quando o diretor-geral conhece um jovem promissor que pertence também a um tipo superior e que poderá mesmo assinalar através da sua postura que se considera tão importante como o diretor-geral? O resultado provável é que, após cada um dar ao outro um aperto de mão dominador, o executivo mais jovem poderá assumir uma postura de braços-cruzados com ambos os polegares a apontar para cima.

Este gesto inclui o de braços-cruzados mais o de polegares-para-cima, mostrando que ele se acha «o máximo», e que tem a situação sob controlo. Enquanto fala, gesticula com os polegares, de modo a realçar os seus argumentos. Como já vimos, o gesto de polegares-para-cima é uma forma de mostrar aos outros que temos uma atitude autoconfiante, sendo que os braços-cruzados continuam a dar uma sensação de proteção.

Uma pessoa que se sinta defensiva mas simultaneamente submissa sentar-se-á numa posição simétrica, o que significa que um lado do corpo é a perfeita imagem no espelho do outro. Este tipo de pessoa exibe um tónus muscular tenso e parece estar à espera de ser atacada, ao passo que outra pessoa que se sinta defensiva e dominante assumirá uma pose assimétrica, isto é, um lado do corpo não espelha o outro.