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Oito dos gestos mentirosos mais comuns

  • Postado em Junho 27, 2017
  • Categoria A mentira
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1.Cobrir a boca

A mão cobre a boca enquanto o cérebro a instrui, de forma subconsciente, a tentar suprimir as palavras enganosas que estão a ser formuladas. Por vezes, este gesto pode consistir unicamente em vários dedos sobre a boca, ou mesmo um punho fechado, mas o seu significado permanece idêntico.

Há quem tente disfarçar o gesto de Cobrir a Boca simulando tosse. Quando os atores desempenham papéis de gangsters ou criminosos, usam frequentemente este gesto ao discutirem atividades ilícitas com outros gangsters, ou quando interrogados pela polícia, de modo a que o público perceba que estão a guardar segredos ou a ser desonestos.

Se a pessoa que usa da palavra utiliza este gesto, isso indica que poderá estar a mentir. Se cobrir a boca enquanto nós estamos a falar, poderá estar a revelar que sente que nós é que estamos a esconder algo. Uma das visões mais perturbadoras com que se pode deparar um conferencista é o facto de a sua plateia utilizar este gesto enquanto fala. Nesse caso, deve parar e perguntar: «Alguém gostaria de fazer uma pergunta?», ou «Estou a ver que nem todos estão de acordo. Fazem favor de pôr questões». Isso permitirá pôr as objecções da plateia em campo aberto, dando ao orador a oportunidade de comprovar afirmações e responder a questões, do mesmo modo que deveria fazer se visse as pessoas de braços cruzados.

O gesto de Cobrir a Boca pode parecer tão inócuo como o gesto «Chhh», em que se coloca um dedo verticalmente sobre os lábios; é provável que este gesto tivesse sido usado pela mãe ou pai da pessoa, em criança. Em adulto, usá-lo-á numa tentativa de ordenar a si próprio que não diga o que está a sentir. A questão é que nos alerta para algo que está a ser sonegado.

2.Tocar no nariz

Por vezes, o gesto de Tocar no Nariz pode consistir em várias esfregadelas rápidas abaixo do nariz, ou apenas num toque rápido, quase imperceptível, no nariz. As mulheres realizam este gesto com toques mais pequenos do que os homens, talvez para evitar esborratar a maquilhagem.

Do que não devemos esquecer-nos é que este tipo de ação deve ser lido em agrupamentos, e no contexto próprio; pode dar-se o caso de a pessoa ter febre ou estar constipada.

Cientistas da Smell and Taste Treatment and Research Foundation de Chicago descobriram que, quando mentimos, são libertadas substâncias químicas chamadas catecolaminas, que provocam o inchaço dos tecidos do interior do nariz. Utilizaram câmaras especiais que mostram o fluxo sanguíneo no interior do corpo, revelando que a mentira intencional provoca igualmente um aumento da pressão sanguínea. Esta tecnologia indica que, na verdade, o nariz humano se enche de sangue durante a mentira, no que é conhecido por «Efeito Pinóquio». O aumento da pressão sanguínea provoca o aumento de volume do nariz, provocando ardor nas terminações nervosas deste, e obrigando a uma fricção rápida com a mão para eliminar a «comichão».

O inchaço não se vê a olho nu, mas é ele que parece causar o gesto de Tocar no Nariz. O mesmo fenómeno ocorre quando uma pessoa está aborrecida, ansiosa ou zangada.

3.Então e a comichão do nariz?

Quando uma pessoa sente comichão no nariz, consegue em geral eliminá-la esfregando ou coçando deliberadamente, por oposição aos toques ligeiros do gesto Tocar no Nariz. Tal como no gesto de Cobrir a Boca, o Tocar no Nariz pode ser utilizado tanto pelo orador para disfarçar a sua mentira, como pelo ouvinte que duvida das palavras do primeiro. Uma comichão implica em geral um gesto repetitivo isolado, e é incongruente ou encontra-se fora do contexto relativamente à conversação global da pessoa.

4.Esfregar o olho

«Não vejo nada de mal», disse um dos macacos sábios. Quando uma criança não quer olhar para algo, cobre os olhos com uma ou ambas as mãos. Quando um adulto não quer olhar para algo que lhe desagrada, é provável que ocorra o gesto de Esfregar o olho. Este representa a tentativa de o cérebro bloquear a dissimulação, a dúvida ou a situação desagradável que observa, ou o seu esforço para evitar olhar no rosto a pessoa a quem se está a mentir. Os homens esfregam em geral os olhos de forma vigorosa, e se a mentira for uma enormíssima peta, desviarão frequentemente o olhar. As mulheres mais dificilmente utilizarão o gesto de esfregar o olho — em vez disso, utilizarão pequenos movimentos de toque suave logo abaixo do olho, quer por terem sido condicionadas em pequenas no sentido de evitar gestos robustos, quer para evitar esborratar a maquilhagem. Evitam igualmente o olhar do ouvinte desviando o seu próprio olhar.

«Mentir com todos os dentes» é uma frase muito ouvida. Refere-se a um agrupamento de gestos de dentes cerrados, e um sorriso falso, combinados com o gesto de Esfregar o Olho. Este gesto é praticado por atores de cinema para representar falta de sinceridade, e também por culturas «educadas» como a dos
Ingleses, que preferem não nos dizer exatamente o que estão a pensar.

5.Agarrar a orelha

Imagine que diz a alguém: «Só custa 500 euros» e a pessoa agarra a orelha, desvia o olhar para o lado e diz: «Parece-me bom negócio.» Estamos em presença de uma tentativa simbólica por parte do ouvinte de «não ouvir nada de mal»: o ouvinte tenta bloquear as palavras que ouve, colocando a mão em volta ou sobre a orelha, ou puxando pelo lóbulo da mesma. Esta é a versão adulta do gesto Mãos-sobre-Ambas-as-Orelhas utilizado pela criança que pretende bloquear as reprimendas dos pais. Outras variações do gesto Agarrar a Orelha são o gesto de esfregar a zona posterior da orelha, o gesto Broca com o Dedo — em que a ponta do dedo é rodada no interior da orelha, para trás e para a frente, puxando pelo lóbulo ou dobrando toda a orelha para a frente, de modo a cobrir o orifício do ouvido.

O gesto de agarrar a orelha pode igualmente representar um sinal de que a pessoa já ouviu que chegasse, ou de que poderá pretender falar. Tal como no gesto de Tocar no Nariz, o gesto de Agarrar a Orelha é utilizado por pessoas que estão a experimentar sentimentos de ansiedade. O príncipe Carlos usa frequentemente ambos estes gestos quando entra numa divisão cheia de pessoas, ou caminha em frente de uma grande multidão. A sua ansiedade é revelada através deles, e nunca observámos uma foto ou um filme em que os use quando se encontra na segurança relativa do interior do seu carro.

Em Itália, por outro lado, o gesto de Agarrar a Orelha é utilizado para indicar que alguém é efeminado ou gay.

6.Coçar o pescoço

O dedo indicador — em geral, o da mão que escreve — coça a parte lateral do pescoço, abaixo do lóbulo da orelha. As observações que realizámos relativamente a este gesto revelam que a pessoa coça uma média de cinco vezes. O número de coçadelas raramente é inferior ou superior a cinco. Este gesto indicia dúvida ou incerteza, sendo característico da pessoa que diz: «Não estou certo de concordar.» É facilmente perceptível quando a linguagem verbal o contradiz, por exemplo quando a pessoa diz algo do género: «Eu percebo como te sentes», mas o gesto Coçar o Pescoço indica que ela não está a falar verdade.

7.Puxar o colarinho

Um biólogo britânico foi um dos primeiros a descobrir que as mentiras causam uma sensação de ardor nos delicados tecidos do rosto e do pescoço, tornando necessário um gesto de esfregar ou coçar para aliviar a comichão. Isto explica não só por que razão, as pessoas que não têm a certeza de algo coçam o pescoço, como fornece uma boa explicação para o facto de algumas pessoas usarem o gesto de Puxar o Colarinho quando mentem e suspeitam que foram apanhadas. O aumento da pressão sanguínea provocado pela falsidade induz a formação de suor no pescoço quando a pessoa que mente sente que suspeitamos que não está a dizer a verdade.

Ocorre igualmente quando alguém se sente zangado ou frustrado e sente necessidade de afastar o colarinho do pescoço, numa tentativa de fazer circular ar fresco. Quando vir alguém a utilizar este gesto, pergunte: «Importa-se de repetir, por favor?» ou: «E capaz de explicar melhor esse ponto, por favor?» Isso obrigará o aprendiz de mentiroso a desmascarar-se.

8.Dedos-na-boca

Este gesto constitui uma tentativa inconsciente de regressar à segurança da criança que chucha no seio da mãe, e ocorre quando a pessoa se sente sob pressão. Uma criança de tenra idade utiliza o polegar ou um cobertor para substituir o seio materno e, em adulto, introduz os dedos na boca e chupa cigarros, cachimbos, canetas e hastes de óculos, além de mascar pastilha elástica.

A maior parte dos gestos Mão-à-Boca pode ser ligada à mentira ou à dissimulação, mas o gesto Dedos-na-Boca é um indicador virado para o exterior de uma necessidade interna de tranquilização, pelo que constituirá um gesto positivo transmitir à pessoa garantias e reafirmações de confiança.

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