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Os sinais secretos dos cigarros

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Fumar é um sinal, dirigido para o exterior, de agitação e conflito interiores, e a maior parte do fumo tem menos a ver com uma dependência da nicotina do que com uma necessidade de tranquilização. Constitui uma das atividades de substituição que as pessoas utilizam na sociedade de alta pressão dos nossos dias para libertar as suas tensões, que acumulam nos encontros sociais e de trabalho. Por exemplo, a maioria das pessoas experimenta alguma ansiedade quando se encontra na sala de espera do consultório dentário, para arrancar um dente. Enquanto um fumador poderá tentar dissimular a sua ansiedade saindo para fumar um cigarro, os não-fumadores executam outros rituais como ajustar o vestuário, mascar pastilhas elásticas, morder as unhas, tamborilar com os dedos e os pés, ajustar os punhos da camisa, coçar a cabeça, brincar com pequenos objetos, ou outros gestos que nos indicam que precisam de ser tranquilizados. As jóias são também populares exatamente pela mesma razão — prestam-se a ser acariciadas e permitem projetar a insegurança, medo, impaciência ou falta de confiança da pessoa para o objeto.

Os estudos mostram atualmente uma correlação clara entre ter sido ou não amamentado e a probabilidade de se tornar fumador em adulto. Descobriu-se que os bebés que foram alimentados principalmente a biberão representam a maioria dos fumadores adultos, e os que fumam em maiores quantidades, ao passo que quanto mais tempo um bebé tenha sido amamentado, menor será a probabilidade de vir a fumar. Ao que parece, os bebés amamentados recebem do seio materno um conforto e um laço afetivo inatingível a partir de uma tetina, de onde resulta que os bebés alimentados a biberão, em adultos, continuam a sua busca de conforto chupando coisas. Os fumadores dão aos cigarros a mesma utilização que a criança que chupa o cobertor ou o polegar.

Os fumadores apresentam não só uma probabilidade três vezes superior de terem chupado os polegares em crianças, como tem-se demonstrado serem mais neuróticos do que os não-fumadores e apresentarem fixações orais como chupar a haste dos óculos, morder as unhas, mastigar canetas, morder os lábios e morder mais o lápis que um castor diligente. Manifestamente, muitos desejos, incluindo o impulso para chupar e sentir-se seguro, foram satisfeitos nos bebés amamentados, mas não nos alimentados a biberão.