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Os três macacos sábios

  • Postado em Maio 8, 2017
  • Categoria A mentira
Businessman Crossing Fingers

Estes macacos simbolizam aqueles que não ouvem nada de mal, não vêem nada de mal e não falam nada de mal. Os seus gestos simples de mão-ao-rosto constituem a base dos gestos humanos enganosos. Em termos simples, quando vemos, dizemos e ouvimos mentiras ou tentativas de nos ludibriar, é bastante provável que tentemos cobrir a boca, os olhos ou os ouvidos com as mãos.

As pessoas que ouvem uma má notícia ou presenciam um horrível acidente cobrem frequentemente todo o rosto com as mãos para, de modo simbólico, se impedirem de ver ou ouvir as terríveis notícias. Este foi o gesto mais observado a nível mundial quando as pessoas ouviram a notícia dos aviões que se despenharam nas Torres Gémeas, a 11 de Setembro de 2001.

Como já vimos, as crianças usam frequentemente, e de forma evidente, gestos mão-ao-rosto quando estão a mentir. Quando uma criança mente, cobre frequentemente a boca com uma ou ambas as mãos, numa tentativa de impedir as palavras enganosas de sair. Se não quiser ouvir uma reprimenda dos pais, simplesmente
cobrirá os ouvidos com as mãos, para bloquear o som. Quando vê algo que não quer ver, cobre os olhos com as mãos ou os braços. A medida que a criança vai ficando mais velha, estes gestos mão-ao-rosto tornam-se mais rápidos e menos óbvios, mas continuam a ocorrer quando ela mente, quando encobre alguma coisa ou quando presencia algum tipo de dissimulação.

Estes gestos encontram-se igualmente associados a duvida, à incerteza ou ao exagero. Um investigador britânico realizou estudos nos quais enfermeiras eram instruídas para mentir aos pacientes acerca da sua saúde, numa situação de role-playing. As enfermeiras que mentiam exibiam maior frequência de gestos mão-ao-rosto do que as que diziam a verdade aos seus pacientes.

Observa-se igualmente que tanto homens como mulheres aumentam a frequência com que engolem saliva ao mentirem, mas tal só é em geral observável nos homens, pelo facto de possuírem uma maçã-de-adão de maiores dimensões.

Fazem parte de um agrupamento de gestos mais alargado, e devem ser estudados da mesma forma que as palavras de uma frase, isto é, analisando o quanto cada palavra é relevante para as outras, e o contexto global em que são utilizadas. Quando alguém utiliza um gesto mão-ao-rosto, isso nem sempre significa que essa pessoa esteja a mentir. O que indica, de facto, é que a pessoa pode estar a sonegar informação. Uma observação mais aprofundada de outros agrupamentos de gestos pode confirmar ou infirmar as nossas suspeitas. E importante evitar interpretar isoladamente um gesto mão-ao-rosto.

Embora não exista nenhum movimento, expressão facial, ou contração individuais garantidos que confirmem que alguém está a dizer uma mentira, há diversos agrupamentos que podemos aprender a reconhecer e nos permitem aumentar substancialmente as nossas probabilidades de detectar uma mentira.