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Porque é que James Bond tinha um ar sereno, calmo e senhor de si

Daniel-Craig-James-Bond

A investigação realizada no campo da linguística mostrou haver uma relação direta entre o grau de estatuto social, poder ou prestígio que uma pessoa inspira e a sua gama de vocabulário. Quanto mais alta a posição em que uma pessoa se encontra na escala social ou profissional, mais provável é que seja capaz de comunicar por palavras e frases. A investigação da linguagem corporal revelou existir uma correlação entre o domínio da palavra falada evidenciado pela pessoa e o número de gestos que utiliza para comunicar a sua mensagem. A pessoa que se encontra no estremo superior da escala de estatuto pode utilizar a sua extensa gama de vocabulário para comunicar o seu pensamento, ao passo que a pessoa menos culta, menos habilitada e de menor estatuto necessitará de utilizar mais os gestos do que as palavras para comunicar a sua mensagem. Como não dispõe das palavras adequadas, substitui-as por gestos. A regra geral é a de que, quanto mais alto a pessoa se encontra na escala socioeconómica, menor é a probabilidade de que utilize gesticulação e movimento corporal.

O agente secreto James Bond utilizou estes princípios com grande efeito ao usar gestos corporais mínimos, em especial quando sob pressão. Sempre que era intimidado pelos maus da fita, quando era insultado ou estava sob fogo, permanecia relativamente imóvel e falava através de frases curtas e monótonas. As pessoas de elevado estatuto mantêm sempre «a cabeça fria», o que significa revelar o mínimo possível as suas emoções. Atores como Jim Carrey são precisamente o oposto — desempenham frequentemente papéis de grande animação, que evidenciam ausência de poder; os seus personagens são em geral homens intimidados e desprovidos de poder.