Interpretar Gestos

Home»Comportamentos»Porque odiamos andar em elevadores

Porque odiamos andar em elevadores

bg4

As aglomerações de pessoas que ocorrem em concertos, comboios e autocarros resultam numa intrusão impossível de evitar nas Zonas íntimas, e é fascinante observar as reações das pessoas nesses casos. Existe uma lista de regras não escritas que a maioria das culturas segue de forma rígida, perante uma situação de aglomeração de pessoas, como um elevador sobrelotado, uma bicha ou os transportes públicos.
São estas as regras típicas para andar de elevador:

1. Não falar com ninguém, incluindo pessoas nossas conhecidas.
2. Evitar a todo o momento o contacto visual com os outros.
3. Manter uma «cara de póquer» — não é permitido mostrar qualquer emoção.
4. Se se tem um livro ou um jornal, fingir estar envolvido na sua leitura.
5. Em multidões maiores, não é permitido qualquer movimento do corpo.
6. Observar constantemente a mudança do número dos pisos.

Este comportamento é designado por «dissimulação», e é observável por toda a parte. Consiste simplesmente na tentativa de cada pessoa esconder as suas emoções dos outros, utilizando uma máscara neutral.

Ouvimos frequentemente palavras como «infelizes», «descontentes» e «desanimados» para descrever as pessoas que se deslocam para o trabalho à hora de ponta, nos transportes públicos. Estas designações são utilizadas para descrever um olhar vazio e desprovido de expressão nos rostos dos viajantes, mas constituem juízos incorretos por parte do observador.

Aquilo que este vê, de facto, é um grupo de pessoas a praticar uma técnica de dissimulação — aderindo às regras que se aplicam à invasão inevitável das suas Zonas íntimas num local público sobrelotado. Repare no seu comportamento da próxima vez que for sozinho a um cinema cheio de gente. Ao escolher um lugar rodeado por rostos desconhecidos, repare como, agindo como um robô pré-programado, começará a obedecer às regras não escritas da dissimulação, num local público sobrelotado.

Ao competir por direitos territoriais sobre o braço da cadeira, com um desconhecido que se senta a seu lado, começará a perceber por que razão as pessoas que vão frequentemente a um cinema cheio não se sentam antes das luzes se apagarem e o filme começar.

Quer estejamos num elevador, cinema ou autocarro sobrelotados, as pessoas que nos rodeiam transformam-se em não-pessoas — isto é, não existem para nós —, e por isso não respondemos como se estivéssemos a ser atacados quando alguém inadvertidamente invade o nosso território.