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Rituais espaciais

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Quando alguém reclama um espaço, ou uma área entre desconhecidos, como um assento no cinema, um lugar na mesa da conferência, ou o cabide no health club, fá-lo de uma forma previsível. Procurará em geral o maior espaço disponível entre duas outras pessoas, chamando a si a área do centro. No cinema, escolherá o lugar que se situe a meio caminho entre o fim de uma fila e o local mais próximo onde esteja outra pessoa.

No health club, escolherá o cabide que se situe no maior espaço disponível, a meio caminho entre dois outros cabides, ou a meio caminho entre o cabide mais próximo e o fim da fila de cabides. O objetivo deste ritual é evitar ofender as outras pessoas, não ficando nem demasiado próximo, nem demasiado distante delas.

No cinema, se escolhermos um lugar que esteja a uma distância superior à intermédia entre o fim da fila e a pessoa mais próxima, essa pessoa poderá sentir-se ofendida se nos sentarmos demasiado longe dela, ou intimidada se nos sentarmos demasiado perto. O objetivo principal deste ritual é o de manter a harmonia, e parece ser um comportamento aprendido.

Uma exceção a esta regra é a distribuição espacial que ocorre nas casas de banho públicas. Descobrimos que as pessoas escolhem as sanitas situadas nos extremos cerca de 90% das vezes e, caso estejam ocupadas, utilizam o princípio do meio-caminho. Os homens tentam sempre evitar ficar entre desconhecidos no urinol público e obedecem sempre à lei não escrita de «antes morrer que estabelecer contacto visual».