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Sorrir é um sinal de submissão

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Sorrir e rir são universalmente considerados sinais de que uma pessoa está feliz. Choramos à nascença, começamos a sorrir às cinco semanas, e o riso tem início entre o quarto e o quinto meses.

Os bebés aprendem rapidamente que, se chorarem, conseguem captar-nos a atenção — e que sorrir nos faz permanecer junto deles. Investigações recentes realizadas com os nossos primos mais próximos entre os primatas, os chimpanzés, demonstraram que o sorriso tem um objectivo ainda mais profundo e primitivo.

Para mostrar que são agressivos, os macacos exibem os seus dentes inferiores, advertindo que podem morder. Os seres humanos fazem certamente o mesmo quando se tornam agressivos, deixando cair ou projetando para a frente o lábio inferior, pois a principal função deste é servir de invólucro que esconde os dentes inferiores. Os chimpanzés têm dois tipos de sorrisos: um é uma expressão de apaziguamento, na qual um chimpanzé demonstra submissão a um chimpanzé dominante. Neste sorriso de chimpanzé — conhecido por «cara de medo» — o maxilar inferior abre-se de forma a expor os dentes, e os cantos da boca são puxados para trás e para baixo, sendo o resultado parecido com o sorriso humano.

O outro tipo de sorriso é uma «cara de brincadeira» na qual os dentes são expostos, os cantos da boca e os olhos são puxados para cima, e são emitidos sons vocais, semelhantes aos do riso humano.

Em ambos os casos, estes sorrisos são usados como gestos de sub-missão. O primeiro comunica a mensagem «Eu não constituo uma ameaça porque, como podes ver, tenho medo de ti», enquanto o outro diz: «Eu não sou uma ameaça porque, como podes ver, eu sou como uma criança brincalhona». É a mesma expressão assumida por um chimpanzé ansioso ou receoso de ser atacado ou ferido por outros. Os músculos zigomáticos puxam os cantos da boca para trás, na horizontal ou para baixo, e os músculos orbicularis dos olhos não se movem. E o mesmo sorriso nervoso adotado por uma pessoa que entra numa estrada movimentada e quase é morta por um autocarro. Como se trata de uma reação de medo, a pessoa sorri e diz: «Bolas… Quase que me matava!»

Nos seres humanos, o sorriso serve um propósito muito semelhante ao dos outros primatas. Indica a outra pessoa que somos não ameaçadores e pede-lhe que nos aceite a um nível pessoal. A ausência de sorriso explica por que razão muitos indivíduos dominadores, tais como algumas personalidades da política que parecem sempre maldispostos ou agressivos, e raramente são vistos a sorrir — simplesmente não querem de forma alguma parecer submissos.

Também a pesquisa nos tribunais demonstra que um pedido de desculpas acompanhado de um sorriso conduz a uma pena menor do que outro apresentado sem sorriso.