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Três regras para uma leitura correta

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Aquilo que vemos e ouvimos numa qualquer situação não reflete necessariamente as atitudes reais das pessoas. Para conseguirmos realizar uma leitura correta, deveremos seguir três regras básicas.

Regra 1. Ler os gestos segundo agrupamentos

Um dos erros mais graves que um novato no campo da linguagem corporal pode cometer é o de interpretar um gesto solitário isolado de outros gestos ou circunstâncias. Por exemplo, coçar a cabeça pode significar uma série de coisas diferentes — suor, incerteza, caspa, piolhos, esquecimento ou mentira — dependendo dos outros gestos que ocorram simultâneamente

Como qualquer linguagem falada, a linguagem corporal tem palavras, frases e pontuação. Cada gesto é semelhante a uma palavra individual, e uma palavra pode ter diferentes significados. Por exemplo, em inglês, a palavra «dressing» tem pelo menos dez significados, incluindo o ato de vestir roupa, um molho culinário, o ato de rechear uma ave cozinhada, uma aplicação de medicamento sobre uma ferida, um fertilizante e a limpeza de um cavalo.

Só quando se insere uma palavra no seio de uma frase, juntamente com outras palavras, é que conseguimos compreender totalmente o respectivo significado. Os gestos surgem em «frases» designadas por agrupamentos e revelam invariavelmente a verdade acerca dos sentimentos ou atitudes de uma pessoa. Um agrupamento de linguagem corporal, tal como uma frase verbal, necessita de incluir pelo menos três palavras, antes de conseguirmos definir rigorosamente cada uma delas. A pessoa «perspicaz» é a que é capaz de ler as frases de linguagem corporal e de as confrontar corretamente com as frases verbais da pessoa.

Assim, se pretendemos fazer uma leitura correta, devemos procurar sempre agrupamentos de gestos. Cada um de nós executa habitualmente um ou mais gestos repetitivos que revelam de forma simples se estamos aborrecidos ou nos sentimos sujeitos a pressões. Tocar no cabelo, ou enrolá-lo continuamente, é um exemplo vulgar disso, mas, isolado de outros gestos, significará provavelmente que a pessoa se sente insegura ou ansiosa. As pessoas passam a mão pelo cabelo ou pela cabeça porque era assim que as mães as confortavam em criança.

Para demonstrar o que foi dito acerca de agrupamentos de gestos, eis um agrupamento de gestos comum, designado Avaliação Crítica que alguém pode utilizar para mostrar ter ficado pouco impressionado com o que está a ouvir. O principal sinal de Avaliação Crítica é o gesto mão-ao-rosto, com o dedo indicador a apontar para cima ao longo da bochecha, enquanto outro dedo cobre a boca e o polegar sustenta o queixo. Um dado suplementar que indica que este ouvinte alimenta pensamentos críticos relativamente àquilo que ouve é o facto de ter as pernas firmemente cruzadas e o braço a atravessar o corpo (atitude defensiva), enquanto a cabeça e o queixo estão ligeiramente virados para baixo (atitude negativa/hostil). Esta «frase» de linguagem corporal diz algo como: «Não gosto do que você está a dizer», «Discordo», ou «Estou a tentar conter sentimentos negativos».

Regra 2. Procurar congruência

A investigação mostra que os sinais não verbais exercem um impacto cerca de cinco vezes superior ao do canal verbal e que, quando se tem em jogo duas pessoas incongruentes — especialmente mulheres — elas se baseiam fundamentalmente na mensagem não verbal, menosprezando o conteúdo verbal.

Se você, no uso da palavra, fosse pedir a um ouvinte seu que desse a sua opinião sobre algo que tivesse dito, e ele respondesse que discordava de si, os sinais de linguagem corporal dele seriam congruentes com as suas frases verbais, isto é, bateriam certo. Se, porém, ele dissesse que concordava com aquilo que o leitor dissera, estaria provavelmente a mentir, pois as suas palavras e gestos seriam incongruentes.

Se você assistisse a um político no púlpito, falando de forma confiante, mas com os braços firmemente cruzados sobre o tronco (atitude defensiva) e o queixo para baixo (atitude crítica/hostil), enquanto dizia à assistência o quão receptivo e aberto era às ideias dos jovens, ficaria convencido? E que tal se ele o tentasse convencer da sua abordagem calorosa e solidária aos seus semelhantes, enquanto dava curtos golpes de karaté sobre o púlpito? Um psicólogo relatou uma vez que uma sua paciente, enquanto expressava verbalmente felicidade relativamente ao seu casamento, punha e tirava, de forma inconsciente, a aliança de casamento no dedo. O psicólogo apercebeu-se do significado deste gesto inconsciente, e não se surpreendeu quando começaram a vir à superfície problemas conjugais.

A observação dos agrupamentos de gestos e a congruência dos canais verbal e de linguagem corporal constituem a chave para interpretar corretamente atitudes através da linguagem corporal.

Regra 3. Ler os gestos no contexto

Todos os gestos devem ser considerados no contexto em que ocorrem. Se, por exemplo, alguém estivesse sentado numa estação de camionetas com os braços e pernas firmemente cruzados, com o queixo para baixo, e estivesse um dia frio de Inverno, isso significaria com toda a probabilidade que a pessoa estava com frio, e não necessariamente numa atitude defensiva. Se, porém, essa mesma pessoa exibisse esses mesmos gestos sentada à mesa consigo, enquanto você lhe tentava vender uma ideia, produto ou serviço, essa postura poderia ser corretamente interpretada como significando que a pessoa estava numa atitude negativa, ou de rejeição, da sua proposta.

Todos os gestos da linguagem corporal serão considerados em contexto e, quando possível, serão examinados agrupamentos de gestos.